VET MOSCON

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Paixão pelos Equinos!

domingo, 17 de janeiro de 2010

HIPOCALCEMIA

Fizemos um atendimento a campo de um animal com sintomas de hipocalcemia, que trata-se de doença metabólica que acomete bovinos, geralmente animais de alta produção leiteira, com menor incidência em ovinos e caprinos. Esta doença, porém, apesar de apresentar a mesma etiologia, tem sintomatologia diversa da Febre do Leite.
A Hipocalcemia está associada a uma rápida queda dos níveis séricos de cálcio no peri-parto, acarretando em incoordenação, paresia e decúbito desses animais. Ocorre, geralmente, nas primeiras 48 horas após o parto, mas pode ocorrer imediatamente antes do mesmo ou até 72 horas após. Ela acontece porque durante a prenhez as necessidades de cálcio são relativamente baixas e no início da lactação o animal tem necessidade de grande quantidade desse mineral. Como os mecanismos de absorção intestinal de Cálcio e reabsorção óssea demoram em torno de 24-48 horas para funcionar eficientemente o animal desenvolve a doença.
Alguns dos fatores de risco para instalação da doença são mais determinantes que outros, porém é o somatório dessas causas, tanto ambientais como as individuais que causará o desequilíbrio e o surgimento do problema.
A perda de cálcio no colostro e no leite está diretamente relacionada à variação nas concentrações desse íon e o volume deste leite secretado. Portanto, animais com alta produção leiteira, devido à sua capacidade genética, mas também extremamente influenciada pelo manejo nutricional, são mais susceptíveis que animais com produção menor.
A idade do animal influencia, sobremaneira, na sua capacidade em responder ao aumento da demanda de cálcio. Em vacas mais velhas, a desmineralização óssea, próxima ao parto, é mais reduzida do que nas novilhas.
Além disso, um importante mecanismo que o organismo lança mão para manutenção dos níveis de cálcio é o aumento da absorção intestinal desse íon. Na vaca, o número de receptores intestinais declina com a idade e assim, as vacas mais velhas tornam-se menos hábeis para responder ao hormônio, havendo necessidade de um tempo mais longo para adaptação dos mecanismos intestinais para absorção de cálcio.
Outros fatores intrínsecos aos animais são o tipo e a raça. Raças de corte são menos acometidas do que vacas de leite, evidentemente por produzirem menor volume de leite. Dentre as raças leiteiras destacam-se as raças Holandesa e Jersey, mas mesmo com menores volumes absolutos na produção de leite, as vacas Jersey são mais comumente afetadas.
Os fatores ambientais influenciam tanto no aparecimento quanto na manutenção e recidiva da Hipocalcemia num determinado rebanho. Dentre estes fatores ambientais, o manejo nutricional e a composição da dieta alimentar para vacas leiteiras no pré-parto são muito significativos para a ocorrência da doença.

COMO IDENTIFICAR

Na Hipocalcemia, os sinais clínicos podem ser divididos em três fases distintas. No estágio inicial da doença ocorre um breve período de excitação, tetania e hipersensibilidade; o animal encontra-se em pé com tremores musculares e da cabeça, ranger de dentes, mugidos frequentes, anorexia, respiração difícil e com a boca aberta e, às vezes, protrusão da língua. A rigidez dos membros, ataxia e queda do animal conduzem ao segundo estágio.
O segundo estágio é caracterizado por decúbito esternal prolongado com a cabeça voltada para o flanco; ocorre diminuição do nível de consciência, desaparece a tetania e os membros ficam flácidos, com extremidades frias e temperatura retal subnormal. O pulso jugular fica fraco, ocorre diminuição na intensidade das bulhas cardíacas e aumento da freqüência cardíaca. As pupilas apresentam-se dilatadas e o reflexo pupilar mostra-se diminuído ou ausente. O chanfro fica seco. Alterações digestivas são frequentes como parada ruminal e timpanismo secundário.
O terceiro estágio caracteriza-se por decúbito lateral, estado semi-comatoso e completa flacidez muscular; os sinais cardiovasculares tornam-se progressivamente mais drásticos, havendo diminuição do pulso, das bulhas cardíacas e aumento da frequência cardíaca, perda da consciência e coma. A morte ocorre por choque devido ao completo colapso circulatório. A mortalidade pode chegar a mais de 35%.
O diagnóstico deve ser fechado através dos sinais clínicos e do histórico do animal. Considerando que não há tempo para análises laboratoriais, o tratamento deve ser instaurado imediatamente, o que leva a confirmação do diagnóstico.

TRATAMENTO

Os animais devem ser tratados imediatamente com gluconato de cálcio pela via intravenosa, na dose de 1g de cálcio para cada 45 kg de peso. Como o cálcio é cardiotóxico, a sua administração deve ser realizada lentamente e acompanhada de auscultação cardíaca.
Na maioria das vacas a recuperação acontece imediatamente após o tratamento ou até 2 horas após. Se não há resposta ao tratamento o animal deve ser reavaliado.
Alguns animais voltam a apresentar sinais 24-48 horas após o tratamento inicial, devendo ser tratados uma segunda vez. No Brasil, a maioria dos medicamentos comerciais é recomendada em doses inferiores a 6g por vaca, o que é insuficiente para o tratamento correto da doença, sendo uma das principais causas de falhas do mesmo.

PARA EVITAR

A prevenção da Hipocalcemia é feita com maior eficiência através de medidas adotadas no pré-parto remoto e imediato. Assim, um manejo nutricional adequado iniciando-se cerca de 30 a 40 dias antes do parto e alguns cuidados no peri-parto, ou seja, entre 48 horas antes e 48 horas após o parto, garantem uma boa redução na incidência de hipocalcemia, suas complicações e possíveis recidivas.
Dietas com baixos níveis de cálcio no pré-parto são recomendadas. Quantidades de alimento com um máximo de 45g Ca/vaca/dia no pré-parto e proporções Ca/P de 1:1, ou menos, mediante a adição de NaH2PO4 e elevação do ingresso de Mg (cerca de 35 a 40 g/vaca/dia) têm sido eficazes.
Altos níveis de fósforo na dieta durante a prenhez evitaram a hipocalcemia. Há comprovações de que dietas contendo mais enxofre e cloro do que sódio e potássio podem prevenir a doença. Com base nisso, recomenda-se a adição de 100g de NH4CL e NH4SO4 numa dieta basal contendo 75-100g de cálcio para evitar a hipocalcemia.
A administração de vitamina D ou seus metabólitos na última semana da gestação, também podem ser utilizados para prevenir a hipocalcemia.


Coloco abaixo, uma imagem do animal em decúbito e um vídeo depois do tratamento.


Um comentário:

  1. Fala Luís!!!

    Cara, seu Blog tá bem legal!! Achei uma maneira bem inteligente de fazer um "Relatório de Estágio" e também de disseminar o conhecimento!! Isso aí cara! O que mais faz o estagiário aprender é estudar os casos que viu na prática!

    Parabéns!!!

    Abraço!
    Pedro Ivo.

    p.s: Só uma dica, coloque o histórico da vaca. Desse modo você pode situar melhor o leitor sobre o caso e deixa o Blog bem mais educativo!

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